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Voz rouca e fraca após os 50? Conheça os sinais do envelhecimento vocal
Cantar fortalece a musculatura da laringe e é um dos maiores aliados contra o envelhecimento da voz
Cantar fortalece a musculatura da laringe e é um dos maiores aliados contra o envelhecimento da voz
Rugas, cabelos brancos e perda de força muscular são sinais conhecidos do envelhecimento. Há, porém, uma mudança menos lembrada: a voz também perde potência e volume com o passar dos anos. O fenômeno tem nome técnico, presbifonia, e afeta diretamente a qualidade vocal e a comunicação de quem envelhece.
A laringe, estrutura onde o som é produzido pela vibração das pregas vocais e pela passagem do ar vindo dos pulmões, é a mais afetada pelo processo. Com o tempo, a musculatura laríngea perde flexibilidade e resistência, o que deixa a voz mais fraca e rouca.
Isso ocorre pelo aumento da rigidez das cartilagens e pelo ressecamento dos ligamentos da região. Além disso, as articulações sofrem desgaste, o que reduz a amplitude dos movimentos, e o muco que lubrifica a região diminui e fica mais espesso.
A intensidade dessas mudanças varia conforme fatores genéticos, condições gerais de saúde e o histórico de uso da voz ao longo da vida. Os homens costumam apresentar mais essas alterações estruturais, enquanto as mulheres tendem a desenvolver edema nas cordas vocais, que ficam com aspecto inchado.
Hábitos que aceleram o processo
Certos comportamentos antecipam ou intensificam a presbifonia, principalmente os que comprometem a respiração. O tabagismo está entre os principais vilões da qualidade vocal, assim como doenças pulmonares obstrutivas, como bronquite e enfisema, que reduzem o volume respiratório disponível para a fala.
O consumo excessivo de álcool e o refluxo faringolaríngeo —quando o ácido do estômago regurgita até a laringe—, também favorecem o envelhecimento precoce da voz. O mesmo vale para doenças vasculares, musculares e neurológicas degenerativas, que reduzem a atividade neuromuscular da região. A obesidade entra nessa lista por dificultar a respiração e sobrecarregar a laringe.
Por outro lado, exercícios aeróbicos regulares, como caminhada, corrida e natação, ampliam a capacidade respiratória e estimulam o sistema cardiorrespiratório, funcionando como uma das principais formas de prevenção. O enfraquecimento das pregas vocais —que também são músculos— é mais evidente em pessoas sedentárias.
Rouquidão persistente e cansaço ao falar por períodos longos podem ser sinais de presbifonia
Rouquidão persistente e cansaço ao falar por períodos longos podem ser sinais de presbifonia
Imagem: iStock
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Quando desconfiar e o que fazer
Rouquidão, cansaço ao falar e dificuldade para emitir sons após os 50 anos são sinais de alerta que justificam uma consulta com otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo. O quadro típico envolve perda de potência vocal, presença de ar não sonorizado na fala e fadiga muscular no pescoço após períodos prolongados de conversa, como durante uma palestra. Pigarro constante ou a sensação de um corpo estranho na garganta também podem indicar o problema.
Vale um esclarecimento que alterações hormonais na menopausa e na andropausa, assim como traumas emocionais, também afetam a voz, mas não configuram presbifonia, que é um processo específico do envelhecimento.
O tratamento mais comum é a fonoterapia, que reforça as estruturas e a musculatura laríngea por meio de exercícios de emissão de tons agudos e graves e de sustentação vocal. Em casos mais graves, quando há atrofia das cordas vocais, cirurgias com aplicação de substâncias como ácido hialurônico ou hidroxiapatita podem ser indicadas.
O canto como aliado
Cantar está entre as atividades mais recomendadas para prevenir o envelhecimento da voz, desde que sem gritos ou exageros. Pode ser tanto uma prática individual ou em corais, de preferência com acompanhamento de um professor de canto, que garante exercícios de aquecimento e desaquecimento adequados.
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Falar moderadamente, sem esforço e com uma boa emissão vocal também pode retardar a presbifonia.
Preservar a voz não é uma questão estética. É o que sustenta a qualidade das relações sociais ao longo da vida, já que a comunicação oral, presencial ou virtual, segue sendo a principal ferramenta de interação entre as pessoas.
*Com informações de reportagem publicada em 11/03/2021.
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